Caso
você acompanhe futebol minimamente, você sabe que o Palmeiras foi campeão
brasileiro em 2016. Dentre muitas histórias que serão escritas para relatar o
feito uma me chama mais a atenção. Uma história sobre aproveitar as oportunidades
da vida. O conhecimento popular é povoado de frases prontas para este tipo de
situação. Pessoas passam uma vida buscando uma oportunidade. Uma chance de
conseguir o que desejam. Ontem vimos isso claramente.
Jaílson
Marcelino dos Santos, mais um brasileiro que sonhou ganhar a vida com o amor
pelo futebol. Mais um brasileiro com dificuldades financeiras e que se valeu de
toda a ajuda possível da família para seguir o sonho. Em 2003, aos 22 anos, foi
contratado pelo Campinense/PB. Conseguiu o sonho, ou quase dado a realidade do
futebol brasileiro. Durante 11 anos de carreira passou por São José, Ituano,
Guaratinguetá, Juventude, Oeste e Ceará. Até que em 2014 chegou ao Palmeiras. Onze
anos trabalhando em clubes de pequena e média expressão. Onze anos vivendo o
sonho de infância. Para ser terceiro goleiro aos 34 anos.
Tinha
à sua frente uma promessa da base e um goleiro de Seleção, Fernando Prass. Eis
que em um infortúnio pela seleção, Prass se contunde. Jogo seguinte, o reserva
Vágner, joga mal em um clássico. A bronca de substituir um ídolo do clube então
cai para o desconhecido Jaílson. Contudo, além de escrever sua história,
Jaílson lê o mundo diferente da maioria. Onde eu escrevo bronca ele lê
oportunidade. Tratou-a como a bola que tanto conhecia e não ia deixá-la passar.
Curiosamente, no time que tem o orgulho escrito em verde, a esperança na
carreira foi renovada
Jogou
18 partidas. Sofreu 11 gols. Média de 0,61 gols por partida. Invicto. Campeão.
Por um time gigante que por 22 anos não conquistava o Brasileirão. Ao sair do
campo tinha todo o direito de expor o seu valor construído por muito trabalho.
Ao invés, agradeceu a avó que costurava suas calças surradas de goleiro. Agora
que mostrou seu valor a reserva do Palmeiras parece pequena para o antes desconhecido.
Daqui
a muito tempo o registro histórico ainda terá o seu nome entre os campeões de
2016. Ele estará no poster de alguma criança palmeirense, para sempre. Mas o
poster não conta essa história. O pôster mostra as conquistas, apenas as
conquistas. Deixa passar o trabalho por trás do resultado e principalmente a
história de alguém que não deixou passar a oportunidade da vida. Que outras
crianças possam olhar para esse exemplo e saibam que devem estar sempre
preparadas. A oportunidade sempre vêm.

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