Marquinhos Santos chegou ao Fortaleza no dia 5 de março deste ano. Legou do demitido Flávio Araújo um time claudicante no Campeonato Cearense, que vinha num misto de resultados medianos e péssimas apresentações, mesmo tendo mantido a base do ano anterior e possuidor de talentos individuais inquestionáveis como o zagueiro Lima, o volante Correa e os meias Éverton e Daniel Sobralense. Com um currículo que incluía passagens pelas categorias de base de Atlético-PR e Coritiba, além da Seleção Brasileira sub-15 e uma posterior migração para o profissional do próprio Coritiba e depois Bahia - com as conquistas de títulos estaduais nos dois times - Marquinhos se apresentava como uma opção inovadora, um técnico jovem e de uma mentalidade diferente dos dinossauros que por aqui passaram nos últimos(sofridos) anos de série C.
Marquinhos enquanto comandava a seleção sub-15
Os resultados começaram a surgir, o time encaixou e a torcida passou a se empolgar com o que se pronunciava para o resto do ano. O título de Campeão Cearense foi só começo, o bi estava garantido. Em seguida vieram as expressivas eliminações de Flamengo e América-MG na Copa do Brasil, ambos times da Série A, com elencos bem mais fortes e orçamentos bem mais rechonchudos do que os do tricolor cearense. A campanha na Série C também seguia tranquila, apesar de alguns resultados adversos em uma ou outra rodada e a perda de peças importantes ao longo da competição, como o volante Dudu Cearense e o meia Jean Mota, que partiram para Botafogo e Santos, respectivamente. Em apenas uma rodada da fase classificatória o time terminou fora do G-4(o grupo de 4 times que garante classificação para a próxima fase) e, como nos últimos anos, acabou terminando a primeira fase na liderança, o que lhe garantiu mais uma vez o direito de decidir o mata-mata em casa.
O bom trabalho desenvolvido pelo técnico paulista de 36 anos fez com que ao longo da competição surgissem inúmeros boatos, alguns verdadeiros, de propostas de outros times. Bahia, Santa Cruz e América-MG foram alguns dos clubes que amedrontaram a massa tricolor com a possibilidade de perder seu comandante. Entretanto, a resposta do técnico era sempre a mesma: só saio do Fortaleza após a conquista da Série C. Marquinhos não falava apenas no acesso, para ele isso era muito pouco. Para ele, o que valia era o título da competição. As notícias que corriam do Pici eram as de que o treinador por vezes varava a madrugada(já que sua família não o havia acompanhado a Fortaleza, permanecendo com residência no Sul do país) trabalhando, estudando os adversários, tentando ajustar cada vez mais o time...Um técnico jovem, comprometido com o projeto de tirar o clube da Série C após sete anos e que havia conquistado o respeito do grupo de jogadores. A torcida não podia desejar melhor cenário.
36 jogos à frente do Leão: 19 vitórias, 9 empates e 8 derrotas.
Eis que agora, após o empate contra o Botafogo-PB em João Pessoa pela última rodada da fase classificatória, quando se conheceu o adversário para o tão esperado mata-mata(Juventude-RS), a torcida tricolor desperta na manhã desta segunda com a triste notícia de que seu comandante pulou do barco. Marquinhos entregou o cargo na madrugada de segunda pra domingo e vai assumir, com efeito imediato, o time do Figueirense-SC que faz péssima campanha na Série A do Brasileirão, estando na zona da degola. O mandatário tricolor Jorge Mota disse em seu facebook que o treinador apresentou algumas razões para aceitar o convite do time catarinense: proposta financeira, visibilidade de atuar na Série A, além da distância da família. Além disso, Jorge já anunciou Hemerson Maria, que conquistou o título da Série B de 2014 com o Joinville, como novo técnico do Fortaleza.
O sentimento de decepção da torcida é geral. Nas redes sociais, um misto de revolta e descontentamento. Mesmo sabendo que os clubes não exitam em demitir seus treinadores quando o trabalho vai mal e que estes são profissionais que também devem pensar em seu futuro, a cabeça do torcedor não digere bem esse tipo de "traição". Os setoristas do clube já anunciam outras razões para a saída do técnico tricolor, que apontam para brigas e disputas internas. Nunca saberemos de verdade o que aconteceu. O que importa é que, no momento mais importante do ano, todo o projeto de tirar o time da Série C encontra-se agora em risco de fracassar outra vez. Hemerson Maria dispõe de duas semanas para treinar o elenco, entender a dinâmica do time e tentar dar sua cara para os dois jogos que se avizinham, os mais importantes da temporada. Quanto à Marquinhos, há um ditado bastante conhecido que diz que um capitão deve afundar com seu navio. Ele decidiu fazer diferente. Decidiu abandonar o barco, mesmo que o porto seguro - o acesso - já se apresentasse á vista e que a embarcação estivesse longe de apresentar motivos para preocupação de naufragar. Obrigado pelos serviços prestados e nos vemos por aí, afinal, o mundo da bola gira e o dia de amanhã é uma incógnita.



Acho que são nesses momentos que nascem os líderes! Alguém vai pegar o timão do barco para ele, independendo do técnico que vai assumir.
ResponderExcluirÉ isso que a nação tricolor(a parte tricolor deste blog também, haha)espera. Que Hemerson Maria possa ser esse líder.
ExcluirUm abraço e obrigado pela participação.
Parabéns. Embora torcedor alvinegro desde que fui gerado, apreciei e muito seu texto. Show de bola!
ResponderExcluirObrigado pela participação e elogios, grande Weydton. Abraço.
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