Hoje
é sábado. Véspera de clássico. Não é mata-mata, mas é jogo importante na
tabela. Você está em casa querendo que o jogo chegue logo. Lembrando da aposta
que fez com o amigo e que tem que passar no mercado pra comprar a cerveja paro
o dia seguinte. Antes de finalmente sair você olha o site de esportes mais uma
vez na esperança que a lesão do seu camisa 10 tenha magicamente desaparecido.
Para sua surpresa você vê um vídeo que acabou de ser colocado por uma amigo no Facebook. No vídeo está lá o presidente da comissão de arbitragem da CBF, em
uma festa. Uma festa dentro da sede da organizada do seu rival. O rival do jogo
de amanhã.
O
palavrão sai no automático. Pobres mães. Quando você para de xingar, volta o
vídeo e vai escutar o que o infeliz está falando no vídeo. Ele está acalmando
um dirigente ao dizer que o juiz para a partida de amanhã é sim preparado.
Conversou com o árbitro pessoalmente e assegura que ele sabe da importância do
jogo de amanhã. Você já espalhou o vídeo para todos seus amigos. Finalmente
você sai de casa, acaba comprando mais cervejas do que o esperado. Você sabe
que esse nervosismo antes de jogo ainda vai te dar um troço, mas fazer o quê? A
cerveja dá conta. O sono chega e a hora do jogo também.
No
caminho para o estádio os jornalistas debatem o vídeo da noite anterior. Mais
palavrões. Você desliga o rádio. Já basta de stress. O que importa é o jogo. O
time não pode perder, basta não perder. O substituto do camisa 10 é bom. Meio
velho, é verdade mas tem seus lampejos e impõe respeito. Vai dar tudo certo.
Respira, bebe, fuma e entra no estádio. Vai começar, canta algumas músicas para
relaxar. A confiança toma conta. A torcida veio em bom número e não tem nada
melhor.
Começa
o jogo. Jogo começa nervoso. 10 minutos, 5 faltas. Travado, feio. Faz parte.
Bola enfiada para o lateral do seu time, leva para a ponta, tenta o drible e
perde. Tapa na frente e lá vem contra-ataque. O meia dele passa por um, dribla
o segundo o campo se abre e lá vem o jogador do seu time, atrasado como sempre,
no carrinho. Falta dura. No contra-ataque. Você prende respiração. Foi falta,
sem dúvida, mas na mesma hora vem à memória o vídeo da noite anterior. Da
conversa entre o chefe da comissão de arbitragem e um cartola do time
adversário. Lá vem o juiz enérgico, lá vem merda. Vermelho! A torcida urra. São
só 10 minutos de jogo e ele já expulsa o jogador. Lá no fundo da sua
consciência você sabe que a falta foi dura, mas o vídeo berra na memória. É
muita coincidência, não pode ser coincidência, pode? Foda ficar com essa dúvida
pelo resto do jogo. Agora não confia em mais nada que o árbitro apita. Ai você
escuta o amigo que bebeu demais do seu lado tentar fazer uma brincadeira; ainda
bem que no vídeo era só o chefe dos árbitros. Podia ser pior. Como podia? Eu
pergunto sem tirar o olho do campo. Já imaginou se fosse o ministro de Justiça.
Imagina?!
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