sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Renovando a paixão



            Já vimos essas cenas várias vezes, seja pela tv ou no estádio pais e filhos juntos, uns sem a mínima idéia do que está acontecendo, outros já entendendo e se encantando a cada jogo que comparece. Ir ao estádio é sublime, abraçar desconhecidos na hora do gol, aquele grito de “uuuuuhhhh” quando a bola passa raspando a trave, ouvir berros no campo, são milhares de coisas impossíveis de se vivenciar assistindo o jogo no sofá de casa.

Dito isto, relato rapidamente a primeira recordação que tenho do estádio acompanhado de meu pai e irmão mais velho. Fomos ao Castelão aqui em Fortaleza acompanhar uma final de estadual entre Vovô e Tricolor, no começo dos anos 90, jogo muito disputado, estádio abarrotado e uma disputa de pênaltis que teve o Ceará como vencedor. Era um encanto só, cores, cânticos e muitas outras coisas que só havia visto pela tv ou escutado pelo rádio, e que guardo com carinho até hoje. Felizmente ainda vou ao estádio algumas vezes, tanto pra ver jogos do Ceará ou do Fortaleza, apesar de não torcer pra nenhum deles gosto muito do ambiente, apesar dos percalços já conhecidos por quem freqüenta mais vezes. Contudo quero reforçar aqui a importância de um componente que está em todos os estádios pelo mundo, da várzea a mais moderna arena, rico ou pobre, assíduo ou não, e que tem na ingênua paixão o fator comum: a garotada;

       Mãe e filho na Turquia, partida do Fenerbache.

Faça uma busca rápida no Google, você verá imagens das mais variadas, crianças de todas as faixas etárias, vídeos de pais orgulhosos do primeiro registro, outros já entoando algumas músicas do time, deve ser uma sensação incrível pro pai ou mãe acompanhar este momento único, algo que espero desfrutar com o(s) meu(s) da melhor forma. Mas nem tudo são flores, há quem ache uma loucura descabida levar alguém que não entende o que está acontecendo no campo, relatar todos os contras em relação a esta atitude, e pregar aos quatro cantos do mundo que isso é uma bobagem ( bobagem é o c@#$%).
                                                                                                               

                                         






                                           Pequeno torcedor do Feyenoord se ambientando desde cedo.

Aqui na terrinha nossos campeonatos se aproximam do fim, já temos algumas certezas em cada divisão, a Copa do Brasil acrescenta um pouco de emoção e remonta aos antigos mata-matas que tínhamos no Brasileirão, a sempre acirrada e imprevisível briga no acesso pra série B, e o verdadeiro bolo de pontos no acesso da segundona pra A. Paralelo aos nossos campeonatos, a temporada européia começou recentemente com suas competições mais famosas, a UCL, a Premier, La Liga, Calcio, já dão o ar da graça na telinha.

Mas voltando pro lado de cá, e alheio aos problemas que temos, ingressos exorbitantes, falta de segurança, acesso complicado, o torcedor brasileiro é esperançoso por natureza. Por mais que a gente reclame dos nossos, e alguns pregam o modelo europeu como a salvação para todos os males, insisto que essa paixão deve ser renovada de geração em geração, independente dos malefícios existentes. Então torcedor não se aborreça, se seu time está mal das penas não desista, se caiu acuse o golpe e se levante próximo ano, e acima de tudo dê a devida importância pra “pivetada”, gurizada, molecada e criançada país afora. Leve o seu filho pro estádio sempre que possível, compre aqueles mil apetrechos pra ele, ensine o impedimento, ensine a xingar (da maneira mais clubista possível), explique porquê o juiz é ladrão, faça-o começar a respirar futebol desde cedo e se apaixonar pelo esporte bretão. Não deixe o futebol morrer, não deixe o futebol acabar.

                                                     
                         “Enquanto houver um coração infantil o Vasco será imortal”


Denis Mourão

administrador, corredor, vascaíno e boêmio sim senhor /+/


Nenhum comentário:

Postar um comentário