Já vimos essas cenas várias vezes, seja pela tv ou
no estádio pais e filhos juntos, uns sem a mínima idéia do que está
acontecendo, outros já entendendo e se encantando a cada jogo que comparece. Ir
ao estádio é sublime, abraçar desconhecidos na hora do gol, aquele grito de
“uuuuuhhhh” quando a bola passa raspando a trave, ouvir berros no campo, são
milhares de coisas impossíveis de se vivenciar assistindo o jogo no sofá de
casa.
Dito isto,
relato rapidamente a primeira recordação que tenho do estádio acompanhado de
meu pai e irmão mais velho. Fomos ao Castelão aqui em Fortaleza acompanhar uma
final de estadual entre Vovô e Tricolor, no começo dos anos 90, jogo muito
disputado, estádio abarrotado e uma disputa de pênaltis que teve o Ceará como
vencedor. Era um encanto só, cores, cânticos e muitas outras coisas que só
havia visto pela tv ou escutado pelo rádio, e que guardo com carinho até hoje.
Felizmente ainda vou ao estádio algumas vezes, tanto pra ver jogos do Ceará ou
do Fortaleza, apesar de não torcer pra nenhum deles gosto muito do ambiente,
apesar dos percalços já conhecidos por quem freqüenta mais vezes. Contudo quero
reforçar aqui a importância de um componente que está em todos os estádios pelo
mundo, da várzea a mais moderna arena, rico ou pobre, assíduo ou não, e que tem
na ingênua paixão o fator comum: a garotada;
Mãe e filho na Turquia,
partida do Fenerbache.
Faça uma
busca rápida no Google, você verá imagens das mais variadas, crianças de todas
as faixas etárias, vídeos de pais orgulhosos do primeiro registro, outros já
entoando algumas músicas do time, deve ser uma sensação incrível pro pai ou mãe
acompanhar este momento único, algo que espero desfrutar com o(s) meu(s) da
melhor forma. Mas nem tudo são flores, há quem ache uma loucura descabida levar
alguém que não entende o que está acontecendo no campo, relatar todos os
contras em relação a esta atitude, e pregar aos quatro cantos do mundo que isso
é uma bobagem ( bobagem é o c@#$%).
Pequeno
torcedor do Feyenoord se ambientando desde cedo.
Aqui na
terrinha nossos campeonatos se aproximam do fim, já temos algumas certezas em
cada divisão, a Copa do Brasil acrescenta um pouco de emoção e remonta aos
antigos mata-matas que tínhamos no Brasileirão, a sempre acirrada e
imprevisível briga no acesso pra série B, e o verdadeiro bolo de pontos no
acesso da segundona pra A. Paralelo aos nossos campeonatos, a temporada
européia começou recentemente com suas competições mais famosas, a UCL, a
Premier, La Liga, Calcio, já dão o ar da graça na telinha.
Mas voltando
pro lado de cá, e alheio aos problemas que temos, ingressos exorbitantes, falta
de segurança, acesso complicado, o torcedor brasileiro é esperançoso por
natureza. Por mais que a gente reclame dos nossos, e alguns pregam o modelo
europeu como a salvação para todos os males, insisto que essa paixão deve ser
renovada de geração em geração, independente dos malefícios existentes. Então
torcedor não se aborreça, se seu time está mal das penas não desista, se caiu
acuse o golpe e se levante próximo ano, e acima de tudo dê a devida importância
pra “pivetada”, gurizada, molecada e criançada país afora. Leve o seu filho pro
estádio sempre que possível, compre aqueles mil apetrechos pra ele, ensine o
impedimento, ensine a xingar (da maneira mais clubista possível), explique
porquê o juiz é ladrão, faça-o começar a respirar futebol desde cedo e se
apaixonar pelo esporte bretão. Não deixe o futebol morrer, não deixe o futebol
acabar.

“Enquanto houver um coração infantil o Vasco será imortal”
Denis
Mourão
administrador, corredor, vascaíno e boêmio sim
senhor /+/



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