quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Money talks: O quanto o dinheiro faz eu me importar com algo?

1998 é a minha primeira copa. Pense sobre essa frase. Ela não faz sentido. Eu nunca joguei uma copa, nem mesmo cobri como jornalista. Não importa. Todos que acompanham futebol sabem qual a sua primeira e a guardam com carinho junto das outras primeiras vezes da vida. A copa do mundo faz parte da construção do indivíduo que ama futebol. Você se pega pensando quanto tempo falta pra próxima. Você reflete quanto sua vida mudou de uma para outra. As copas são referências para a sua memória. Isso não faz sentido algum e ainda sim é tão real quanto o pão ao meu lado. E querem mexer no meu pão. 
A FIFA aprovou o projeto do seu presidente, Gianni Infantino, de expandir A copa do mundo para 48 equipes. Não existe projeto mais lógico. Os mercados mundiais expandiram desde 1998 (primeira copa com 32 seleções) e esta tendência deve manter-se até 2026. Segundo o jornalista Jamil Chade (Estadão e ESPN) a mudança deve fazer a copa de 2026 gerar 22 Bilhões de reais para a FIFA (juro que o valor é esse). Mas como seria uma copa com tantas seleções?
O modo de competição ainda não está totalmente definido, apesar de todos os jornais especializados apontarem para o seguinte projeto. A copa manteria os sete jogos até o título e sua duração de aproximadamente um mês. Para tanto, os 48 selecionados seriam divididos em 16 grupos com três equipes em cada e classificação dos dois primeiros. Outra mudança significativa é a divisão das vagas que devem ser de 16 vagas para a Uefa, 9,5 para África, 8,5 para Ásia, 6,5 para Conmebol, 6,5 para Concacaf e uma vaga para Oceania. 
Estas mudanças trazem consigo as seguintes consequências e adaptações. Deverão ocorrer 80 partidas em 32 dias. A fase de grupos não terá empates e a última rodada não possuirá jogos simultâneos que mantém a competitividade até o fim da fase de grupos. Estas mudanças, quando analisado o projeto completo, parecem fazer parte de uma reformulação completa do calendário do futebol. Você deve ter percebido que não faz sentido uma eliminatória com nove times onde seis ou sete são classificados. Por isso mesmo a FIFA propõe uma eliminatória conjunta para todas as Américas. O fim da copa das confederações e a mudança do mundial de clubes para um torneio bienal ou quadrienal com 16 clubes estão em discussão.
A FIFA usa seu autodeterminado papel de divulgadora e facilitadora do futebol como justificativa para esta mudança tão significativa. O futebol é muito mais que Europa e América do Sul, chegou a dizer Infantino durante coletiva. Contudo, essa mudança me cheira a algo mais simples e menos altruísta. Pense comigo. Um terço da população mundial (China e Índia) não participa do mercado consumidor da copa do mundo. Justamente os mercados que expandiram nos últimos 20 anos seriam os mais beneficiados. A saber, sudeste asiático, África e leste europeu.
Sinceramente, não sei como esta mudança não aconteceu antes. Esta mudança pode fazer com que metade da população mundial esteja envolvida em um mesmo evento. Juntas. Tem o potencial de fazer A copa do mundo superar as Olimpíadas como evento mais assistido e valioso do mundo. É muito dinheiro para isso não acontecer. 
Vale notar que a copa do mundo tinha 24 seleções até 1994. Será que houve revolta na mudança para 32 equipes na copa da França? Será que 32 seleções é o limite do futebol em alto nível, ou eram as 24 de antigamente? O futebol vai absorver essa mudança? A FIFA realmente vai conseguir expandir o futebol para outros países? Os jogadores vão aguentar o ritmo do torneio ou o excesso de ganância vai tirar o brilho e excepcionalidade dos grandes jogos? A FIFA está fazendo essas perguntas ou os 22 Bilhões de reais é tudo o que importa? Seria o mundo pequeno ou grande demais para o futebol? A FIFA se importa tanto com a copa quanto eu e você?
Em 1994 um pai babão apontava para as bandeiras que desfilavam na TV e perguntava qual país aquelas cores e formas simbolizavam. Bulgária, dizia uma criança com três anos de idade. Eu não me lembro disso. Várias pessoas já me contaram essa história. Pais babões são marqueteiros natos. A copa do mundo faz parte da minha vida desde antes de eu ter memórias sobre mim. Ela existe em mim antes que saiba da minha própria existência. Será que o dinheiro faz a FIFA se importar com ela tanto quanto eu?

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Ienes, euros e bola: Um pouco do mercado chinês

            Começo de ano aqui no Brasil, sinônimo de início de temporada e claro as especulações fervem o noticiário esportivo. Informações vazadas, chapéus em rivais, o famoso “pacotão” de reforços, jogador de nível seleção chegando...são inúmeras as referências, acompanhadas de ilusões e desilusões dos torcedores que ficam na espera da solução de todos os problemas do time, mas recentemente um tipo de notícia causa calafrios no pobre apaixonado: Fulano tem proposta da China, Beltrano está a detalhes de ir para a Ásia, Ciclano recebe oferta salarial irrecusável e pode deixar o país.

Uns nomes que lembro rapidamente, Jadson, Ralf, Renato Augusto Luís Fabiano, Paulinho, Ricardo Goulart, todos destaques em grandes clubes por aqui foram se aventurar no país que investe pesado em futebol ultimamente e já causa tremores no centro europeu. As notícias que aparecem na nossa imprensa dão conta de salários que beiram 1 milhão de reais por mês, livre de impostos, isso mesmo camarada, 1 milhão de soldo, prêmios e bonificações, segurança e qualidade de vida bem superiores a de nossa terra tupiniquim seduzem a cabeça de jogadores e claro de seus agentes e empresários com o objetivo de um polpudo pé de meia e a garantia financeira para o resto da vida, tanto deles como de seus familiares claro. Imagine você, sentado no seu computador agora ou lendo o texto no seu celular, você recebe uma proposta de emprego que multiplica seu salário em 10, 15 ou até 20 vezes, sem contar as vantagens diretas citadas algumas linhas antes, é de balançar qualquer jogador, seja ele consagrado, casos de Luís, Jadson, Ricardo, todos campeões e respeitadíssimos em seus ex – times, como jogadores que ainda não estão no auge da carreira.

Mas Denis esses caras tão em fim de carreira, já ganharam tudo que tinham pra ganhar, outros não vão pra lá não... Concordo, pelo menos não deveriam ir, mas eis que dias atrás os chineses aprontaram novamente e anunciaram Oscar ex Chelsea por 60 milhões de euros (ou aprox. 212 milhões de reais), com um salário especulado na casa de 4 milhões de reais por mês (pode ler novamente, é isso mesmo) e o atacante Carlos Tevez, que tinha mercado na Europa ainda e preferiu se aventurar também, não temos a informação do valor pago ao Boca Juniors mas a mídia ferveu com a especulação de que Carlitos ganhará 10 milhões de reais por mês. Leia, releia, reflita, pense como quiser e o que quiser destes jogadores, independente de suas capacidades e do mercado que teriam para jogar ainda em alto nível por um bom tempo suas escolhas de carreira não são passíveis de julgamento. É muita bufunfa, dá pra sustentar algumas várias gerações, fazer o que der na telha, enfim é tanto dinheiro que este que vos escreve nem sabe mais o que falar.

Mas você pode questionar, de onde vem essa grana? Acharam a mina de ouro na China e não avisaram pra ninguém? Como estes empresários chineses são tão audaciosos a ponto de especularem até Messi e CR7 no campeonato deles? Numa rápida pesquisa, nós do blog verificamos que além de todos os clubes da primeira divisão, a Chinese Super League, possuírem estádio próprio com capacidades superiores a 30 mil pessoas, os donos, sócios e empresas acionistas dos clubes são dos seguintes ramos: imobiliário, e-commerce, eletrônicos, energia, indústrias, e pasmem, até uma universidade por meio de um instituto de pesquisa. Técnicos europeus, sul americanos, já se movimentam rumo a China também, a organização da liga tem a intenção até de contratar equipes de arbitragem européias para trabalharem exclusivamente para o campeonato local.

Cabe aqui uma tentativa de simplificar o motivo de tanta força e poder financeiro chinês: a demanda pelo futebol, o produto em si visto em todo o mundo, o interesse súbito, curiosidade, a cultura local tão peculiar, e claro o vasto leque de opções de patrocínios e fontes de renda, visto o demonstrado linhas antes, frente ao engessado mercado brasileiro, que salvo raríssimas exceções, exemplos de Palmeiras e Flamengo mais recentemente que repatriaram Felipe Melo e Conca respectivamente, não consegue nem disputar alguns jogadores badalados junto a outros centros esportivos. 

*Nota: 1) Vasculhando os periódicos europeus, surge a notícia que o Shangai SIPG que contratou Oscar e tem Hulk no elenco estaria disposto a pagar “apenas” 150 milhões de euros para tirar Aubameyang do Borussia Dortmund, e torná-lo o jogador mais bem pago do mundo, com 11,5 milhões de reais por mês. 

2) Marinho anuncia que está de saída do Vitória. Sabia não? O atacante deve receber o triplo do que ganhava no clube baiano e será outro a embolsar gordos salários na China, deixando a ver navios Flamengo e Santos que tinha interesse no jogador.


Denis Mourão; administrador, corredor e vascaíno sim senhor /+/

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

Um sonho interrompido


(Quase)Todo garoto no Brasil já sonhou em ser um jogador de futebol. O novo Ronaldo Fenômeno, Ronaldinho Gaúcho, Romário, Neymar...a escolha do jogador admirado e o sonho de imitá-lo depende da idolatria que cada um nutre pelos inúmeros grandes gênios já produzidos pelo futebol nacional. Nos tempos modernos, a globalização, a internet e as TV's à cabo nos aproximaram ainda dos campeonatos e craques internacionais. Messi, Cristiano Ronaldo, Pogba...não há limites para as cabecinhas sonhadoras dos jovens garotos, da periferia aos bairros nobres, das quadras das escolas públicas aos grandes ginásios dos colégios particulares: todo menino quer ser um astro do futebol.

Dario Scuderi em ação pelo Borussia

Dario Scuderi também tinha esse sonho. Na verdade, ele ainda o tem. A questão é que um sonho que parecia logo ali, ao alcance das mãos, agora se encontra bastante longe. Meados de setembro, partida válida pela UEFA Youth Cup, a Champions League "dos juvenis". 15 minutos do primeiro tempo e a equipe do jovem lateral-direito/zagueiro italiano, o Borussia Dortmund, já vencia o jogo por 1x0. Eis que o adversário, Legia Varsóvia, desce em contra ataque pelo lado direito do campo, Scuderi tenta travar o cruzamento do atacante adversário e obtém êxito. O problema é que ao tentar o desarme, a perna esquerda do italiano travou no gramado, fazendo com que todo o peso do jogador fosse concentrado no joelho. Uma cambalhota, seguida por uma tentativa fracassada de ficar em pé e a consciência de que algo muito grave tinha acontecido ao ver a perna contorcida em posição totalmente não natural. Ligamentos cruzados, laterais e um menisco rompido adiariam por um longo tempo o sonho do defensor italiano de estrear nos profissionais do time alemão.


ATENÇÃO: IMAGENS FORTES ABAIXO






A recuperação inicial foi estimada em 8 meses. Pouco tempo depois, devido à complicações, aumentou-se para 12 meses o prazo estimado para o retorno do jovem de 18 anos. O problema maior é que agora esse retorno pode nem acontecer. Informações publicadas por Walter Paneque, do blog 'Muralha Amarela', da ESPN, dão conta de que em entrevista a rede WAZ, Scuderi explicou que a lesão foi mais séria do que o imaginado. Houveram problemas circulatórios que poderiam inclusive ter causado a amputação do membro, o que não ocorreu graças à perícia da equipe médica que tratou do caso. Foram realizadas oito cirurgias reconstrutivas(e, muito provavelmente, serão realizadas mais algumas) mas os extensos danos comprometeram alguns nervos do pé, prejudicando movimentos e a sensibilidade do membro, essenciais para um jogador de futebol de alto nível. Scuderi chorou ao ouvir do médico, quando perguntado sobre a data de retorno aos campos, que poderia voltar, mas apenas como forma de lazer e não profissionalmente. 

Cotado(antes da lesão) como carta certa no elenco principal do Borussia para a próxima temporada, Dario Scuderi tem pela frente uma longa e difícil batalha. Os médicos não descartam a possibilidade de retorno. Muito menos o jovem atleta. O clube, através de seu CEO Hans-Joachim Watzke, já garantiu que irá oferecer toda a estrutura e apoio necessário para que o garoto possa voltar aos campos e realize o sonho de vestir a camisa aurinegra no Westfalenstadion, diante da enorme torcida amarela. 

Nós aqui do blog desejamos com todas as forças uma rápida e completa recuperação ao jovem jogador italiano. Que ele consiga superar todo a lesão e o trauma e esteja o mais rápido possível fazendo o que sempre sonhou em fazer, assim como milhares de garotos ao redor do mundo: ser um jogador de futebol.

Nesse primeiro post de 2017, toda a equipe do Olhar da Geral deseja a você, querido leitor, e a todos os seus um excelente ano, cheio de tudo que possa acontecer de melhor. Feliz ano novo e contamos com você nesse novo ano que se inicia. 








segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

E se...

Recentemente Lionel Messi teve seu nome envolvido em polêmicas extra campo, problemas com o Fisco espanhol são noticiados com frequência nas mídias catalã e madrilenha e causam aborrecimento ao jogador. Há quem diga que o Barcelona devia proteger seu rei com mais veemência, porém há o lado que defende que do campo pra fora o próprio atleta que cuide dos seus problemas e entraves, mas deixemos essa questão de lado por enquanto e vamos nos ater a uma suposição (ou devaneio) como queiram. Foi ventilado na imprensa que Messi avisou ao Barcelona no começo da temporada em meados de julho, que não renovaria seu vínculo com o clube catalão e causou um alvoroço nos jornais espanhóis. De bate pronto o periódico local Sport desmentiu a história, tudo não passa de boato e La Pulga irá estender seu contrato com o Barcelona novamente, com um pomposo aumento e outras tantas regalias que ele possui junto à direção do clube e o status de lenda viva que possui junto aos torcedores azuis – grená. Mas se voltarmos alguns anos no almanaque dos gênios, já vimos um filme parecido e que pode ter o mesmo desenrolar... o ano de 2006 mostrava um Ronaldinho Gaúcho no auge, o gênio cabeludo desfilava seus gols e malabarismos no Camp Nou e pela seleção brasileira, juras de amor eterno, promessas de encerrar a carreira por lá e passado um curto período após 2006 R10 deixou de ser unanimidade, seja por sua vida particular (bem diferente da que leva Messi), seja por seu desempenho em campo, talvez desmotivado naturalmente por já ter tido conquistado tudo e mais um pouco pelo Barça, Ronaldinho bateu asas rumo a Itália e deixou o trono catalão para Messi.


                                             Não é tão absurdo quanto parece

O cenário é um pouco diferente, hoje Messi tem um time espetacular ao seu lado e mesmo com outros ícones de uma geração já não fazendo mais parte do elenco, como Puyol, Xavi e Iniesta se aproximando do fim da carreira, Messi faz parte de um ataque estupidamente poderoso ao lado de Luis Suarez e Neymar. O trio já deixou suas marcas no campeonato local, na UCL e protagonizou vários recordes, Messi tem total respeito no elenco apesar de sua postura calado, alheio a entrevistas e pouco ativo nas redes sociais. Lionel cabe hoje em qualquer clube do mundo, times do primeiro escalão já demonstraram poder de fogo para contratar quem quiserem, PSG, Bayern de Munique, Chelsea, Manchester United, Manchester City e seu arquiinimigo Real Madrid têm vários artifícios para seduzir o astro argentino, caso ele sinalize que sairá de Barcelona em busca de mais conquistas, de novos desafios e recordes pessoais.

Seria sensacional ver Lionel em outras ligas, comandando outros esquadrões e marcando outra era no futebol, o Real Madrid já protagonizou duas contratações bombásticas de ex – catalães, Luis Figo pulou o muro em 2000 por 65 milhões de euros, Ronaldo Fenômeno em 2002 veio da Inter de Milão pela bagatela de 32 milhões de euros... o futebol é apaixonante dentre outras coisas, pelos novos ídolos, pela dinâmica mercadológica que se impôs nos últimos anos, e claro pelas surpresas que são reveladas a cada janela de transações que se aproxima. Fica a imaginação livre para você supor como seria Messi com outra camisa, seria ele capaz de repetir seus feitos de tempos de Barcelona? Consegue ver ele e CR7 fazendo tabelas mirabolantes e comemorando gols juntos? Será que os deuses da bola vão aprontar essa conosco ou tudo não passa de utopia e manchetes pra vender jornal?


                                                                  #descubra

terça-feira, 29 de novembro de 2016

Quando o dia não termina.


6:48 da manhã. Não sei porque, hoje não precisei de despertador pra acordar. Cumpro o ritual cotidiano: agarro o celular que está a carregar na cabeceira pra checar o WhatsApp. 78 mensagens de 6 conversas. Algo de estranho aconteceu. Não é normal tamanha quantidade de mensagens enviadas de madrugada. Letárgico, começo a abrir os chats. A vista ainda embaçada apenas me permite vislumbrar algumas palavras soltas: avião, Chapecoense, desastre, 70 mortos....aos poucos, conforme o sono se vai e a incredulidade se instala, começo a entender o que aconteceu. Não teve mais ritual cotidiano, não teve café da manhã, não teve nada. Sentado fiquei, até perceber que se não saísse rápido, chegaria atrasado no trabalho. Nesse meio tempo, frenéticas vezes atualizava o facebook, a Globo.com, lia as mensagens que chegavam no WhatsApp, na vã esperança de que tudo fosse um engano, que logo o equívoco se esclareceria. Não foi. Confirmou-se a maior tragédia esportiva da história do país.

Ao longo do dia as informações iam chegando, desencontradas e trágicas. O time de ascensão meteórica, o xodó de todo torcedor brasileiro, estava dizimado. O jogo que nos preparávamos pra acompanhar e torcer na quarta-feira, eu e os amigos, não mais aconteceria. Foram-se multiplicando as homenagens ao redor do mundo. Craques de renome mundial como Beckham, Rooney, Casillas, Neymar, DeGea, Ronaldinho Gaúcho, Pelé, Maradona, Raul, Ballack, Schweinsteiger, dentre vários outros, postaram suas condolências. Nas redes sociais, a maioria das equipes brasileiras trocou seus escudos por brasões enlutados da Chape. Treinos de Real Madrid, Barcelona, além do jogo do Liverpool contra o Leeds pela Copa da Liga tiveram minutos de silêncio. A torcida do Copenhagen FC levou faixas de apoio no jogo de seu time hoje à tarde. O mundo esportivo, especialmente do futebol, se vestiu de luto.  

O time que conquistou a simpatia dos torcedores de todos os clubes

Ao mesmo tempo, gestos concretos de solidariedade começaram a surgir de todos os lugares: os times brasileiros comprometeram-se a emprestar jogadores a custo zero à Chape, assim como propuseram a imunidade do clube ao rebaixamento na série A nacional por três anos. O Libertad – PAR disponibilizou seu elenco, caso o time catarinense decida entrar em campo para jogar a final da Copa Sul-Americana, além da rodada de encerramento do Brasileirão. Mas talvez o gesto mais bonito tenha vindo do adversário que o time enfrentaria na final de amanhã. O Atlético Nacional de Medellín enviou solicitação à Conmebol - que, como em tudo que se envolve, ameaça atrapalhar - pedindo a declaração da Chapecoense como campeã da Copa Sul-Americana de 2016. Todos querem demonstrar seu carinho ao time catarinense.

Mas, e agora? Por enquanto, todos os jogos – a final da Copa, assim como os do Brasileirão e Copa do Brasil – foram adiados. A cidade que abraçou o time chora seus mortos. O mais importante nesse momento é cuidar dos sobreviventes, garantindo-lhes o pronto restabelecimento, e providenciar para que os familiares e a cidade tenham a oportunidade de dar adeus aqueles que tantas alegrias trouxeram nos últimos anos ao povo de Chapecó. São muitas histórias tristes, muitos corações arrebentados pela dor da partida que necessitarão de tempo para serem curados. Como estará a mulher do atacante Thiaguinho, que recentemente descobriu que seria pai pela primeira vez? O filho do técnico Caio Jr, que não embarcou com a equipe por ter esquecido o passaporte? A família do goleiro(e herói) Danilo, após saber que, mesmo tendo sido resgatado com vida, não sobreviveu aos ferimentos?   

O herói da classificação na semi-final deixa um filho de 2 anos

Diante de tanta dor, em entrevista ao Bom Dia Brasil, um emocionado presidente do Conselho Deliberativo, Plínio David de Nes Filho, disse que o sonho acabou. Foram as mesmas palavras utilizadas pelo fundador do time, Alvadir Pelisser, de 80 anos e que se recupera de um AVC sofrido em janeiro último. Mas eu, assim como todos os amantes do futebol, dizemos que não. O sonho foi apenas posto em espera. A Chape é gigante. Com a ajuda de sua magnífica torcida, dos clubes do Brasil e do exterior e de todo o mundo do futebol, temos certeza que o Índio Guerreiro de Condá dará a volta por cima. Exemplos não faltam, que o digam Brasil de Pelotas e Manchester United (este último também acometido por uma tragédia aérea em Munique, na Alemanha, no ano de 1958, que esfacelou uma das gerações mais brilhantes que o time já teve e que, dez anos depois, após intenso trabalho de recuperação, foi campeão da Champions League com o mesmo técnico da época do acidente, Sir Matt Busby, além do destaque e maior artilheiro da história do time até hoje, Sir Bobby Charlton, que também estava no avião acidentado).

É hora de juntar os cacos. Que a memória dos que hoje perderam a vida enquanto lutavam pela realização de seus sonhos e os sonhos de todo um povo, seja inspiração e exemplo para os que aqui ficaram. Que não esmoreçam diante da gigantesca batalha que se avizinha e que tenham forças para manter e elevar a Chape aonde ela merece estar.

O vestiário que dias antes presenciava uma festa, agora silencia



Como católico, rezo ao bom Deus para que acolha às almas dos falecidos, dando o conforto e consolo aos seus familiares.  



A equipe do blog deseja aos sobreviventes uma rápida e completa recuperação, assim como envia aos familiares e amigos de todos os envolvidos – jogadores, tripulantes e profissionais da imprensa – nossas mais sinceras e profundas condolências. Deseja ainda, por mais clichê que pareça, que cada um de nós saiba fazer do hoje o dia mais especial de nossas vidas. Que amemos e abracemos nossos pais, que digamos a nossos cônjuges o quanto são importantes para nós, que façamos o máximo bem possível enquanto podemos, tendo sempre em nossa mente a consciência da finitude do que chamamos vida.  


#forçaChape    


segunda-feira, 28 de novembro de 2016

A história não cabe no pôster

Caso você acompanhe futebol minimamente, você sabe que o Palmeiras foi campeão brasileiro em 2016. Dentre muitas histórias que serão escritas para relatar o feito uma me chama mais a atenção. Uma história sobre aproveitar as oportunidades da vida. O conhecimento popular é povoado de frases prontas para este tipo de situação. Pessoas passam uma vida buscando uma oportunidade. Uma chance de conseguir o que desejam. Ontem vimos isso claramente.


Jaílson Marcelino dos Santos, mais um brasileiro que sonhou ganhar a vida com o amor pelo futebol. Mais um brasileiro com dificuldades financeiras e que se valeu de toda a ajuda possível da família para seguir o sonho. Em 2003, aos 22 anos, foi contratado pelo Campinense/PB. Conseguiu o sonho, ou quase dado a realidade do futebol brasileiro. Durante 11 anos de carreira passou por São José, Ituano, Guaratinguetá, Juventude, Oeste e Ceará. Até que em 2014 chegou ao Palmeiras. Onze anos trabalhando em clubes de pequena e média expressão. Onze anos vivendo o sonho de infância. Para ser terceiro goleiro aos 34 anos.
Tinha à sua frente uma promessa da base e um goleiro de Seleção, Fernando Prass. Eis que em um infortúnio pela seleção, Prass se contunde. Jogo seguinte, o reserva Vágner, joga mal em um clássico. A bronca de substituir um ídolo do clube então cai para o desconhecido Jaílson. Contudo, além de escrever sua história, Jaílson lê o mundo diferente da maioria. Onde eu escrevo bronca ele lê oportunidade. Tratou-a como a bola que tanto conhecia e não ia deixá-la passar. Curiosamente, no time que tem o orgulho escrito em verde, a esperança na carreira foi renovada
Jogou 18 partidas. Sofreu 11 gols. Média de 0,61 gols por partida. Invicto. Campeão. Por um time gigante que por 22 anos não conquistava o Brasileirão. Ao sair do campo tinha todo o direito de expor o seu valor construído por muito trabalho. Ao invés, agradeceu a avó que costurava suas calças surradas de goleiro. Agora que mostrou seu valor a reserva do Palmeiras parece pequena para o antes desconhecido.
Daqui a muito tempo o registro histórico ainda terá o seu nome entre os campeões de 2016. Ele estará no poster de alguma criança palmeirense, para sempre. Mas o poster não conta essa história. O pôster mostra as conquistas, apenas as conquistas. Deixa passar o trabalho por trás do resultado e principalmente a história de alguém que não deixou passar a oportunidade da vida. Que outras crianças possam olhar para esse exemplo e saibam que devem estar sempre preparadas. A oportunidade sempre vêm.


segunda-feira, 21 de novembro de 2016

A censura bate na trave

Nada como um belo domingo na capital paulista, palmeirenses em clima de título, famílias indo pro estádio, casais, idosos, crianças, tudo na mais perfeita harmonia. Não fosse mais uma medida completamente descabida e sem o mínimo de bom senso, que deixou o mundo da arquibancada abismado novamente, um pai que levou sua pequena palmeirense para assistir ao jogo foi barrado na entrada pela PM: a menina estava com o rosto pintado e foi impedida de entrar, pois tal pintura dificultaria sua identificação. O pai contornou a situação, lavou o rosto dela e entraram para ver a partida que poderia dar o título ao alviverde.
Criança censurada na porta do Allianz Parque

Sim, foi exatamente isso que você leu, uma menina de sete anos foi impedida de entrar no estádio sob o argumento de que isso dificultaria sua identificação. Claro que normas e orientações existem para serem cumpridas, mas este fato beira o ridículo e causa completa estranheza ao torcedor de bem. Não vimos tal rigor para que sejam identificados certos elementos que frequentam estádios por todo o país, infiltrados em torcidas organizadas, que promovem verdadeiras selvagerias e atos ilícitos nas arquibancadas, coagem torcedores, usam drogas, utilizam artefatos altamente nocivos, como bombas caseiras, armas brancas, e isso não é exclusividade do time A, B ou C. Já que não se acha uma solução, e os sujeitos responsáveis pela organização e segurança dos jogos claramente não entendem o ambiente que cerca uma partida, seja ela qual importância tiver, valendo ou não um título nacional, de um time gigante, um clássico ou o que seja, as medidas punem os justos, aquele torcedor que chega mais cedo ao estádio pra tomar uma cerveja, comer um churrasco e jogar conversa fora não pode mais fazer isso. Novamente o Allianz Parque é exemplo aqui, a PM resolveu isolar a área que cerca o estádio em dias de jogo do Palmeiras, só transitam pessoas com ingresso e moradores, se eu quiser ir antes do jogo para curtir o clima e ir embora não posso, tudo em nome da “segurança da sociedade”, se eu pretendo ir fantasiado, como costumávamos ver diversas vezes, ou com uma simples pintura no caso dessa garotinha e seu pai, também é proibido sob a batuta da “manutenção da ordem”.


O que mais faltam inventar para coibir a festa nas arquibancadas? É inadmissível que essas ações não visem punir os verdadeiros baderneiros e pilantras, que usam o estádio como palco para exibicionismos de covardia e violência, e o torcedor comum, que não tem condições de pagar planos de sócio para ele ou sua família, é afastado cada vez mais dos jogos preferindo o sossego de casa ou de um restaurante próximo a sua residência. Imagine você, que hoje ou daqui a alguns anos pretende levar seu filho ou filha para um jogo, resolve sair de casa animado com o dia que pode ser inesquecível para sua família, o começo de uma nova paixão pelo clube de coração, e se depara com uma situação absurda desta? Ser impedido de entrar porquê está usando um adereço do time, ou está caracterizado como o mascote, fantasiado ou algo que faça menção a festa. Fica aqui um sentimento não de raiva, mas de completa inércia e impotência sobre estas censuras ao direito de ir e vir que atingem o torcedor constantemente, e pasmem, medidas estas tomadas pelos manda chuvas do mundo da bola.

Essa é a cara deste que vos escreve

Denis Mourão, torcedor estupefado com as barbaridades que lê e vê, e o Vasco ainda por cima não colabora neste fim de ano. Até breve caro leitor. /+/