domingo, 9 de outubro de 2016

Nervosismo à flor da pele!

     Hoje o Tricolor de Aço do Pici buscará seu maior objetivo do ano, frente à equipe do Juventude: o acesso para a Série B do Campeonato Brasileiro. Pode esperar, será um jogo de acabar com o juízo de qualquer aficionado. O Leão é craque em fazer isso com a torcida. Mas no final o sabor da vitória tira todo o gosto ruim da angústia do tempo regulamentar. 



     Aqui vai um relato de um desses jogos que tirar o fôlego e a paciência da torcida, mas no final deu tudo certo.

Castelão, dia 03/03/2015: Fortaleza 2 x 0 River-Pi -  Copa do Nordeste.

     Já passavam dos 40 minutos do segundo tempo. Apesar das diversas chances, o zero a zero já parecia certo.

     A impaciência da torcida aumentava, assim como o número de cigarros que o torcedor que estava ao meu lado fumava. Um cigarro atrás do outro, ele fumava sem parar.

     Uma parte da torcida começava a ir embora. Mas a grande maioria, entre vaias e reclamações, permanecia no Castelão. Afinal, como diz um dos célebres ditados da bola: “o jogo só acaba quando o juiz apita”.

    E ele apitou. Mas para marcar uma falta na intermediária para o Fortaleza.

    O volante Corrêa, capitão da equipe tricolor, demorou alguns segundos arrumando os meiões antes de cobrar a falta. Será que tentava lembrar alguma jogada ensaiada? Acredito que não. Até porque aquela altura da partida não existia mais nada para orquestrar. Enquanto Corrêa realiza seu íntimo ritual, o torcedor ao meu lado acende outro cigarro. Pelo nervosismo do momento, até a vontade de voltar a fumar bateu em mim. Mas aguentei firme e as unhas foram minhas vítimas. 

     O árbitro autoriza a cobrança. Após a curta conversa com a bola e os meiões, o capitão alça a bola na área. O bate e rebate na grande área dura intermináveis dois segundos. A bola sobra limpa para Daniel Sobralense abrir o placar para o Leão do Pici.

     A torcida tricolor troca as reclamações pelo grito de gol guardado há 90 minutos.


     Depois da euforia, olho para o torcedor desconhecido ao meu lado. Não portava sorriso no rosto, mas feição de alívio depois do gol. Após uma bela tragada em seu cigarro, ele me diz de uma só vez: “Meu Deus, ainda vou morrer disso”. 

     Espero que, depois de uma ano, esse torcedor desconhecido não tenha "morrido disso" e esteja vivinho para ver o acesso tão sonhado.




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