Essa semana
chegou ao fim - e com desfecho inesperado - uma das negociações mais arrastadas
da pré-temporada do futebol brasileiro. William Pottker, um dos artilheiros da
edição do Brasileirão de 2016 com 14 gols ao lado de Diego Souza, teve sua
contratação desistida por parte do Corinthians, com o qual sua equipe, a Ponte
Preta, havia fechado um acordo verbal.
Pottker
em ação pela Ponte Preta
O imbróglio se
deu por conta da participação de Pottker na partida da Ponte contra o
Campinense, pela Copa do Brasil, na última quarta-feira, 08/02. A Macaca venceu
o jogo, eliminou a equipe paraibana e Pottker marcou um gol. A questão é: sua
participação na partida da Copa o impede de atuar pela equipe do Parque São
Jorge nas outras fases da competição. O acordo fechado entre a Ponte e o
Corinthians previa que Pottker se apresentaria ao Timão apenas após o fim do
Paulistão. Até então, o Corinthians abria mão de contar com o reforço no
estadual, mas não esperava ter de abrir mão do atleta também na Copa do Brasil
que, junto ao Brasileirão, são os dois torneios de maior expressão que o time
irá jogar no ano.
Por fim, após
confirmada a participação de Pottker no jogo contra o Campinense, o diretor de
futebol do Corinthians. Flávio Adauto, veio à público antes da partida do time
paulista contra a Caldense, também pela Copa do Brasil, confirmar o destrato no
negócio. Disse ele: "A partir
deste momento oficialmente a gente não toca mais nesse assunto. Tínhamos tudo
praticamente decidido para ele se integrar ao elenco após o Paulista. Isso era
um acordo, era conversado. Mas a Ponte Preta colocou o jogador em campo hoje...
Consultamos às 16h, às 19h, e a Ponte no direito dela colocou o jogador para
atuar, o Corinthians a partir desse momento esquece esse assunto, não fala mais
de Pottker." O jogador, por sua vez, justificou-se dizendo que em
momento algum o Corinthians comunicou o time campineiro da necessidade de não
escalá-lo nos jogos da Copa, além de assumir postura extremamente profissional
ao afirmar: "Não posso deixar
de representar um clube que me paga e me ajuda. Tenho que manter o foco. Tenho
que continuar fazendo o que vinha fazendo ano passado, porque se deixar de
fazer, não vai ter interesse de mais nenhum clube. [...] Para dar um
exemplo que todos vocês conhecem: o Gabriel Jesus estava acertado para ganhar
milhões e mesmo assim não tirou o pé. Jogou com a mesma intensidade nos jogos.
Se ele receberia milhões, ele continuou com intensidade, imagine o Pottker, que
me desculpa, ganharia uma merreca perto disso, não é?"
A internet não
perdoa.
No fim, podemos
tirar algumas conclusões disso tudo. A primeira delas é a constatação da
maneira amadora como o departamento de futebol do Corinthians vem conduzindo
suas negociações. Não há como não traçar um paralelo com o caso Drogba, tão
recente. A negociação frustrada com Pottker mostra a ineficácia do time
alvinegro em conseguir reforçar o time após o desmonte pós-Brasileiro de
2015(em que se sagrou campeão) e a saída de Tite, além de presentear os rivais
com infindável munição para zoeira - vide o meme Harry Pottker e o enigma de
Drogba. A segunda é que nem sempre a chance de jogar em um clube gigante e
receber alguns zeros a mais no contra-cheque supera o profissionalismo.
Pottker, ao escolher permanecer na Ponte, passa o recado certo à outros
jogadores, especialmente em tempos de inflacionado mercado chinês. De bônus,
ainda ganhou de volta a idolatria da torcida da Macaca, que chegou a vaiá-lo
após o anúncio da negociação e que agora, no treino aberto do último sábado,
voltou a gritar seu nome. Por último, se o Corinthians tivesse real interesse
na contratação do atleta, que agisse de maneira mais profissional, assinando o
contrato, colocando as cláusulas que lhe interessasse e garantindo o reforço do
jogador.
Afinal, vendo o
êxodo de jogadores brasileiros para mercados 'emergentes', mas de baixo nível
técnico como Ucrânia, Russia, Índia e por último China, o sub-aproveitamento
que as grandes equipes impõem às suas categorias de base e negociações amadoras
estilo Corinthians/Drogba/Pottker, fica a indagação: nosso futebol é mesmo
profissionalizado?



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